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Ambiente de trabalho tóxico – como identificar e combater

 Ambientes prejudiciais geram depressão e improdutividade, trazendo prejuízos aos colaboradores e para as empresas.

Um estudo realizado pelo International Journal of Research and Public Health apontou que locais de trabalho tóxicos são extremamente prejudiciais aos colaboradores, levando a estados de depressão, estresse, esgotamento, ansiedade e improdutividade – questão que aponta um prejuízo de cerca de R$230 milhões para as 500 maiores companhias do Brasil, segundo o levantamento feito pela empresa de tecnologia Levee.

Para o consultor de carreira da ESIC Internacional, Alexandre Weiler, estar em um ambiente tóxico de trabalho é algo prejudicial para todos, por isso é fundamental que tanto líderes como funcionários estejam atentos à qualidade do ambiente de trabalho. “Um ambiente de trabalho tóxico é algo que pode envolver tanto líderes como liderados e se espalha com facilidade por todos os envolvidos. Os colaboradores têm aumento de estresse, depressão e podem levar essa carga emocional para suas relações interpessoais, afetando a vida cotidiana mesmo quando não estão na empresa. Por isso é tão importante que as corporações pensem muito a sério sobre esse tema”, explica o especialista.

Mas como identificar se o ambiente é tóxico? Para Weiler a identificação desse tipo de ambiente nem sempre é fácil de se fazer, uma vez que a toxicidade, na grande maioria das vezes, está nos pequenos atos do dia a dia empresarial. “Nem todos os sinais são óbvios como assédios e grosserias do “chefe”, na maioria das vezes são atitudes que trazem um grande desconforto, que pode ser sentido no momento ou algum tempo depois do ocorrido. Como, por exemplo, a sensação de falta de apoio da liderança, ou mesmo dos colegas, ou ainda a sensação de estar preso naquele ambiente sem oportunidades de crescimento e mobilidade. Um ambiente de trabalho opressivo pode ser sim fruto da atuação de um gestor tóxico, mas também de um time que desenvolveu práticas e comportamentos nocivos”, conta.

Sobre a mobilidade, Weiler reforça que este é um ponto que tem ganhado muita relevância no período pós pandemia, uma vez que as pessoas passaram a enxergar seus trabalhos de outra forma.  “Não podemos ignorar o fato de que as pessoas mudaram a forma como enxergam suas vidas depois da pandemia. A grande maioria da população, principalmente a força de trabalho mais jovem, sofreu um impacto brutal neste período e percebeu que o bem-estar e a saúde mental/emocional são algo muito importante. Isso muda a forma de trabalhar, pois há uma busca maior na satisfação pessoal e em unir a vida pessoal com a profissional com equilíbrio. Além disso, essa força de trabalho passou a valorizar ainda mais autonomia que provém de alguns níveis de liberdade, questão que pode ser conflitante com lideranças mais autoritárias e acostumadas aos antigos modelos de trabalho baseados também na microgestão”, reforça o especialista.

 

Sinais de um ambiente tóxico de trabalho

Saber observar o ambiente de trabalho e identificar se ele é tóxico passa por questões diversas como comunicação, micro gerenciamento, jogos de poder, entre outros pontos. Para explicar alguns deles, Alexandre lista abaixo alguns dos principais:

 

Má comunicação

A comunicação é uma das habilidades mais importantes para o sucesso da empresa e para o desenvolvimento de seus colaboradores e líderes. Quando ela é insuficiente, não objetiva, ou confusa, fica claro que aquele ambiente tem diversos outros problemas. “Comunicação é saber ouvir, falar, escrever e, principalmente, saber entender como as pessoas preferem se comunicar. Ter empatia também é fundamental neste ponto, por isso fique atento caso haja falta de clareza sobre projetos e demandas, se você nunca sabe o que seu chefe espera de você, se percebe uma comunicação passiva-agressiva, se há entendimentos diferentes e graus de detenção de informação, se há comunicação fora do horário de trabalho e se os líderes não escutam os liderados. Esses certamente são indícios de uma má comunicação. Os problemas também podem estar nos vetores, é importante que a comunicação flua de forma objetiva e respeitosa em todos os sentidos: líderes para liderados, vice versa e também dos liderados entre si”.

 

Competitividade desmedida e exacerbada entre colegas

Esse é um forte indício de um ambiente tóxico, principalmente quando há um excesso de competitividade entre colaboradores de outras áreas. “Muitas empresas, mesmo que de forma velada, incentivam a competitividade desmedida como algo positivo, sem perceber que no médio e longo prazo derrubam as possibilidades concretas de construção de times baseados em cooperação, nos quais está o real valor da colaboração entre as equipes, a possibilidade de aprendizado e atingir resultados positivos sustentáveis. Saber que você pode contar com seus colegas e líderes é fundamental para o desenvolvimento do trabalho produtivo. Se há competitividade isso não irá acontecer, pois a pessoa sempre estará preocupada com uma possível vantagem maior que o outro está levando ou com um prejuízo do qual seja alvo. Esta energia dedicada a de forma equivocada fará falta para consecução dos objetivos mais desafiadores”.

 

Líderes tóxicos e micro gerenciamento

A liderança deve ser uma inspiração e não motivo para medo. Líderes inspiradores, por seu exemplo e postura, sempre alcançam o respeito que deriva da confiança de seus liderados. Além disso, os colaboradores necessitam ter liberdade para desempenhar suas funções sem pressão excessiva. “É claro que um líder deve delegar, monitorar, suprir, demandar e corrigir, mas quando um gerente passa a interferir de forma constante nas execuções e práticas do colaborador mesmo a cada pequena tarefa, ele está micro gerenciando e esse comportamento gera a sensação de que a empresa não confia no funcionário que está executando a tarefa. Isso gera a impressão de incapacidade e falta de confiança. Ninguém consegue trabalhar plenamente dessa forma. Esse comportamento é muito tóxico, pois influencia negativamente todo o ambiente, acarretando mesmo em abuso de autoridade e fomentando outros comportamentos tóxicos, podendo incorrer não raramente até mesmo em assédio moral”.

 

Fofoca e bullying corporativo

Comentários são algo normal num ambiente de trabalho, porém quando isso se converte em maldade e em fofoca, passa a ser algo muito prejudicial. “A fofoca é algo que facilmente sai de controle e pode gerar boatos cruéis e invasivos sobre detalhes da vida pessoal e profissional dos colaboradores e líderes. Esta é uma questão que afeta a todos, não importa o cargo, inclusive as lideranças podem sofrer de forma mais intensa, já que estão em posição de destaque e de certa forma vulneráveis a esse tipo de ataque. Pensar antes de falar, ter respeito e empatia são coisas fundamentais para combater esse tipo de atitude em qualquer situação. Ao receber uma informação, uma das chaves sempre é se perguntar: A informação é verdadeira? A informação é útil? Cabe a mim replicar e socializar esta informação? E somente no caso de 3 respostas positivas para as perguntas anteriores, direcionar a informação apenas às  pessoas de direito. É impressionante como esta postura gera resultados positivos,  quando bem empregada ”.

 

Alta rotatividade e turn over

Uma boa empresa para se trabalhar valoriza os bons funcionários e os retém. Já empresas que têm uma alta rotatividade revelam justamente o contrário, destacando provavelmente uma cultura de não valorização. “A máxima ‘qualquer pessoa é substituível’ precisa sair da cartilha das empresas, é óbvio que, objetivamente falando, é difícil encontrar alguém que seja totalmente insubstituível, mas é preciso entender que as pessoas são sim muito importantes, pois funcionários talentosos valorizados tendem a vestir a camisa e são altamente produtivos. Se você percebe que não é valorizado, isso provavelmente acontece com outras pessoas também”.

Empresas são formadas por pessoas e o mercado é formado por pessoas. E pessoas necessitam ambientes sadios.

Fonte: Trio Comunicação

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