90% DOS BRASILEIROS AFIRMARAM TER ADOTADO AO MENOS UMA ESTRATÉGIA PARA ECONOMIZAR NOS ÚLTIMOS TRÊS MESES
Mesmo com uma melhora gradual na percepção sobre a economia, o consumidor brasileiro continua mais criterioso na hora de comprar. Em vez de reduzir o consumo de forma generalizada, ele passou a pesquisar mais, comparar preços, avaliar benefícios e priorizar marcas que entregam valor real. A mudança revela um comportamento mais racional, em que preço continua sendo importante, mas deixou de ser o único fator decisivo.Levantamento da consultoria McKinsey & Company, divulgado em 2026, mostra que o consumidor brasileiro mantém uma postura cautelosa em relação aos gastos. Segundo o estudo An Update on Brazilian Consumer Sentiment: An Uptick in Confidence—and Caution, embora o otimismo tenha crescido no início deste ano, 90% dos brasileiros afirmaram ter adotado ao menos uma estratégia para economizar nos últimos três meses, como trocar marcas por opções mais baratas, reduzir compras por impulso ou buscar promoções antes de fechar uma compra. O percentual permanece acima da média histórica e demonstra que a busca por economia continua fazendo parte da rotina de consumo.Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que essa racionalização do consumo não significa abandono das marcas consolidadas. Pelo contrário: quando percebem qualidade, confiança, bom atendimento e uma experiência consistente, os consumidores continuam escolhendo as empresas com as quais já possuem uma relação positiva, mesmo que isso represente pagar um pouco mais em determinadas categorias.Para o especialista em marketing e estratégia de negócios, Frederico Burlamaqui, diretor da Burlamaqui Marketing & Estratégia, esse movimento representa uma mudança importante na forma como as empresas precisam construir suas estratégias comerciais. "O consumidor está muito mais consciente. Antes de comprar, ele pesquisa avaliações, compara preços, consulta redes sociais e verifica a reputação da empresa. Isso torna o processo de decisão muito mais criterioso. Não vence necessariamente quem oferece o menor preço, mas quem consegue demonstrar valor de forma consistente", afirma. Segundo o especialista, o varejo vive um momento em que confiança passou a ser um ativo competitivo tão importante quanto preço. "As pessoas continuam buscando economia, mas evitam correr riscos. Muitas vezes preferem permanecer com uma marca conhecida porque já tiveram boas experiências e acreditam que ela entregará exatamente o que promete. Essa previsibilidade tem muito valor para o consumidor atual."Burlamaqui explica que a fidelidade também mudou de significado. Se antes ela era construída principalmente por tradição, hoje depende da capacidade das empresas de entregar boas experiências em todos os pontos de contato. "Uma única experiência ruim pode fazer o consumidor migrar rapidamente para outra marca. Ao mesmo tempo, empresas que oferecem atendimento eficiente, comunicação transparente, facilidade na compra e um pós-venda de qualidade conseguem fortalecer esse relacionamento e manter clientes por muito mais tempo."Outro reflexo desse comportamento é a redução das compras por impulso. Com acesso facilitado a comparadores de preços, avaliações online e informações sobre produtos, o consumidor tende a decidir de forma mais planejada. "Hoje existe um intervalo maior entre o desejo e a compra. Nesse período, o consumidor pesquisa bastante. Isso significa que as marcas precisam estar presentes durante toda essa jornada, oferecendo conteúdo, credibilidade e uma experiência positiva antes mesmo da venda."Para Burlamaqui, esse cenário também exige mudanças nas estratégias promocionais do varejo. "Promoções continuam sendo importantes, mas deixaram de ser suficientes para fidelizar clientes. Empresas que trabalham apenas com descontos entram em uma disputa difícil de sustentar. As marcas que crescem são aquelas que conseguem combinar preço competitivo com qualidade, confiança e relacionamento."O especialista acredita que essa tendência deve se intensificar nos próximos anos, impulsionando empresas que investem na construção de marca e na experiência do cliente. "O consumidor continuará comparando preços. Isso não vai mudar. O diferencial estará na capacidade das empresas de fazer com que o cliente conclua que vale a pena comprar daquela marca, mesmo quando ela não é a mais barata. Valor percebido passou a ser um dos principais motores da fidelização."

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