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Remoto, presencial ou híbrido? Especialista explica como escolher o modelo de trabalho ideal para cada empresa

 

Com dificuldade para contratar profissionais qualificados, empresas precisam definir modelos de trabalho que fortaleçam a cultura e ajudem a atrair e reter talentos

Encontrar profissionais qualificados se tornou um dos maiores desafios das empresas brasileiras. Segundo a pesquisa Escassez de Talentos 2025, da ManpowerGroup, 80% dos empregadores no Brasil afirmam enfrentar dificuldades para preencher vagas, um dos maiores índices já registrados no país. Nesse cenário, definir o modelo de trabalho deixou de ser apenas uma decisão operacional e passou a ser uma estratégia para fortalecer a cultura organizacional, aumentar o engajamento das equipes e melhorar a capacidade de atrair e reter talentos.

Para Diego Godoy, sócio da MUUDA.work e especialista em recrutamento executivo e desenvolvimento de executivos, a discussão não deveria ser sobre qual modelo é melhor, mas sim sobre qual faz mais sentido para cada organização. "Muitas empresas ainda procuram uma resposta única para uma decisão que é complexa, cheia de variáveis. O modelo de trabalho deve estar alinhado à cultura da empresa, ao perfil das equipes, ao estilo de liderança e aos resultados que o negócio pretende alcançar. Simplesmente copiar o que outras organizações estão fazendo raramente funciona."

Segundo o especialista, antes de definir se a equipe trabalhará de forma remota, presencial ou híbrida, os gestores precisam responder algumas perguntas fundamentais.

1. O tipo de atividade exige colaboração constante?

Empresas que dependem de inovação, criatividade ou tomadas de decisão rápidas costumam se beneficiar de momentos presenciais mais frequentes. Já funções que exigem concentração, análise ou produção individual podem apresentar excelente desempenho no trabalho remoto. "Nem toda atividade precisa acontecer dentro de um escritório. O importante é entender quais processos realmente ganham com a interação presencial e quais podem ser realizados com a mesma qualidade em qualquer lugar."

2. A liderança está preparada para gerir equipes à distância?

Na avaliação de Diego, muitos problemas atribuídos ao home office têm origem, na verdade, em modelos de gestão pouco preparados para esse formato. "Gerenciar equipes de uma forma geral exige comunicação clara, definição de metas e acompanhamento por resultados. Quando a liderança ainda trabalha baseada no controle da presença física, qualquer modelo acaba encontrando dificuldades."

3. A cultura organizacional já está consolidada?

Empresas em fase de crescimento acelerado ou que contratam muitos profissionais simultaneamente podem precisar de maior convivência presencial para fortalecer integração, aprendizado e cultura. Já organizações mais maduras costumam ter maior facilidade para operar em modelos híbridos. "O escritório continua tendo um papel importante na construção da cultura e no desenvolvimento das pessoas. A questão não é abandonar o presencial, mas utilizá-lo de forma inteligente. Por exemplo, a possibilidade de trabalho remoto ou híbrido abre a oportunidade da empresa ter pessoas que moram em outras cidades ou até mesmo em outros países em seus times, mas que não estão dispostas a (ou custa muito caro) mudar.” 

4. O modelo escolhido ajuda a atrair e reter talentos?

O formato de trabalho passou a influenciar diretamente a decisão de muitos profissionais na hora de aceitar uma proposta ou permanecer na empresa. Pesquisa realizada pela Robert Half em parceria com o Insper mostrou que profissionais que trabalham, em média, 2,3 dias por semana remotamente demonstram maior satisfação com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O estudo também aponta que 93% dos profissionais que atuam integralmente em home office considerariam deixar a empresa caso perdessem totalmente essa possibilidade, evidenciando que a flexibilidade passou a ser um fator relevante na retenção de talentos. "Hoje, flexibilidade faz parte da proposta de valor de muitas organizações. Dependendo do perfil da vaga e do mercado em que a empresa atua, oferecer diferentes possibilidades de trabalho é uma vantagem competitiva para atrair e reter talentos. Sabia que a Ford inventou a jornada de trabalho de 5 dias em 1926 e transformou isso em uma vantagem para contratar mais e melhores profissionais? Talvez o remoto/híbrido tenha esse papel hoje."

5. A empresa mede produtividade ou apenas presença?

Para Diego, um dos maiores erros é acreditar que produtividade está diretamente ligada ao tempo que o colaborador passa no escritório. "Independentemente de ser remoto, híbrido ou presencial, empresas que trabalham com objetivos claros, indicadores e confiança tendem a alcançar melhores resultados do que aquelas que medem desempenho apenas pela presença física."


Na avaliação do especialista, o futuro do trabalho será cada vez menos baseado em regras iguais para todos e mais orientado pelas necessidades de cada organização. "O melhor modelo não é o que está em alta no mercado, mas aquele que ajuda a empresa a crescer, fortalece a cultura organizacional e permite que as pessoas entreguem seu melhor desempenho. O importante é que a decisão seja feita de maneira inteligente, e não uma simples reprodução do que outras empresas estão fazendo. Modismo não combina com eficiência.”

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