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Quase 9 em cada 10 acidentes têm relação com falhas humanas

Levantamento da Polícia Rodoviária Federal mostra que comportamento do motorista está associado à maioria dos acidentes e das mortes nas rodovias; especialista explica quais erros mais se repetem e como reduzi-los



O maior fator de risco no trânsito não é a chuva, nem um buraco na pista ou uma falha mecânica. É o comportamento de quem está ao volante. Embora diferentes estudos de segurança viária indiquem que cerca de 90% dos acidentes de trânsito tenham relação com falhas humanas, os números mais recentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) reforçam essa realidade. Segundo o Anuário da PRF de 2025, 84,1% dos acidentes registrados nas rodovias federais e 91,5% das mortes estão associados ao comportamento do motorista.

Os dados mostram que a maioria das ocorrências não acontece por fatores imprevisíveis, mas por decisões tomadas em poucos segundos, como desviar a atenção para o celular, dirigir acima da velocidade permitida, realizar uma ultrapassagem indevida ou simplesmente deixar de observar as condições da via. São atitudes que parecem pequenas, mas que, somadas, continuam sendo a principal causa de acidentes no país.

Para o advogado da área de Trânsito, Walber Pydd, os números reforçam uma realidade que muitas vezes passa despercebida pelos motoristas: a segurança no trânsito depende muito mais da conduta humana do que da tecnologia embarcada nos veículos ou da qualidade da infraestrutura. "Quando falamos em trânsito seguro, muitas pessoas pensam imediatamente em fiscalização, radares ou melhorias nas rodovias. Tudo isso é importante, mas o principal fator continua sendo o comportamento de quem dirige. A forma como o motorista toma decisões durante o trajeto é o que mais influencia na ocorrência de acidentes. Pequenas escolhas feitas em questão de segundos podem evitar ou provocar consequências irreversíveis", afirma.

Segundo o especialista, ainda existe a falsa percepção de que os acidentes graves acontecem apenas em situações extremas, como excesso de velocidade muito acima do permitido ou condução sob efeito de álcool. Na prática, grande parte das ocorrências começa com distrações consideradas comuns no dia a dia. "Olhar uma mensagem no celular por alguns segundos, dirigir cansado, não manter distância segura do veículo da frente, deixar de sinalizar uma mudança de faixa ou acreditar que 'dá tempo' de fazer uma conversão são comportamentos que reduzem significativamente o tempo de reação do motorista. Muitas tragédias não acontecem por um único erro, mas pela soma de pequenas imprudências", explica.

Além dos impactos físicos e emocionais, Walber lembra que um acidente provocado por negligência também pode gerar importantes consequências jurídicas. "Dependendo das circunstâncias, o motorista pode responder por danos materiais, indenizações, lesões corporais e até por crimes de trânsito. Muitas pessoas enxergam o acidente apenas como um fato inesperado, quando, na verdade, ele pode gerar responsabilidades civis, administrativas e criminais. Por isso, dirigir com atenção também é uma forma de proteger o próprio patrimônio, a liberdade e, principalmente, vidas."

Confira seis hábitos que fazem a diferença no trânsito:

1. Elimine distrações ao volante

Celular, muitas vezes até o rádio, até procurar objetos dentro do veículo desviam a atenção da via. Poucos segundos olhando para outro lugar são suficientes para percorrer dezenas de metros sem observar o que acontece à frente.

1. Respeite a distância de segurança

Manter espaço adequado entre os veículos garante tempo para reagir em uma frenagem brusca e reduz o risco de colisões traseiras.

1. Nunca dirija com sono ou excesso de cansaço

O cansaço diminui os reflexos, compromete a concentração e pode provocar episódios de "microsono", quando o motorista perde a atenção por alguns segundos sem perceber.

1. Antecipe todas as manobras

Sinalizar mudanças de faixa, observar os retrovisores e reduzir a velocidade antes de conversões permite que outros motoristas compreendam a intenção da manobra e reajam com segurança.

1. Respeite os limites de velocidade, mesmo quando a via parece livre

Quanto maior a velocidade, menor é o tempo disponível para reagir a qualquer imprevisto e maior é a gravidade das consequências em caso de colisão.

1. Não beba ou use drogas ao dirigir

Não existe quantidade segura de consumo de álcool ou drogas ilícitas ao pegar a direção. O consumo reduz os reflexos, alteram a cognição, o que pode levar a acidentes graves. 

Para Walber Pydd, o trânsito seguro começa com uma mudança de mentalidade. "Dirigir bem não é apenas saber conduzir um veículo. É entender que cada decisão tomada ao volante interfere diretamente na segurança de passageiros, pedestres, ciclistas e dos demais motoristas. No fim das contas, a prevenção continua sendo o recurso mais eficaz para reduzir acidentes e salvar vidas", finaliza.

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