Dívidas afetam autoestima, sono e concentração e transformam a saúde financeira dos colaboradores em um ponto de atenção para as áreas de Recursos Humanos; 33% dos trabalhadores relatam queda na produtividade devido às questões ligadas a dinheiro
O endividamento deixou de ser uma preocupação restrita à vida pessoal dos trabalhadores. As dificuldades para pagar as contas também chegam ao ambiente de trabalho, afetando a concentração, o bem-estar e a produtividade dos colaboradores.Uma pesquisa realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian, e divulgada em outubro de 2025, mostra que 66% dos trabalhadores perceberam aumento do estresse em razão do endividamento. No ambiente profissional, 51% relataram mais estresse, 47% exaustão física e 33% queda de produtividade provocada pelos problemas financeiros.
O impacto vai além do desempenho. Outro estudo, realizado pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, revelou que 84% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros. Entre as consequências mais citadas estão alterações no humor e na estabilidade emocional, mencionadas por 48% dos entrevistados, prejuízos à autoestima, apontados por 44%, redução da energia e disposição, com 32%, e dificuldade de concentração no trabalho ou nos estudos, relatada por 30%. Além disso, 70% disseram já ter perdido o sono por preocupação com dívidas.
Para o economista e CEO do Conta Cheia, Gabriel Nasser, os números demonstram que a saúde financeira precisa entrar de forma mais estruturada na agenda das empresas. “O colaborador não deixa as preocupações financeiras do lado de fora quando começa o expediente. Uma dívida pode ocupar seus pensamentos durante todo o dia, afetar o sono, a autoestima, a capacidade de concentração e até a forma como ele se relaciona com colegas e familiares. Por isso, essa não é apenas uma questão individual. É também uma preocupação legítima do RH e das lideranças”, afirma.
O cenário é agravado pelo elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. Em abril de 2026, 80,9% das famílias do país possuíam algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. A inadimplência atingia 29,7% das famílias e 12,3% afirmavam não ter condições de quitar seus débitos. No Paraná, o percentual de famílias endividadas chegou a 86% no mesmo período, conforme levantamento da CNC e da Fecomércio PR.
Embora nem toda dívida represente inadimplência, o uso de modalidades com juros elevados pode dificultar ainda mais a reorganização financeira. Dados do Banco Central mostram que a taxa média do crédito livre destinado às pessoas físicas chegou a 61,5% ao ano em março de 2026. O acesso a alternativas com condições mais equilibradas pode ajudar o trabalhador a substituir dívidas mais caras e recuperar previsibilidade sobre o orçamento, desde que a contratação seja feita com planejamento e respeito à capacidade de pagamento.
Foi a partir dessa preocupação que surgiu o Conta Cheia, fintech paranaense especializada em crédito consignado privado para trabalhadores com carteira assinada. A empresa atua por meio de convênios com médias e grandes companhias, oferecendo aos colaboradores acesso a crédito com desconto em folha, taxas mais competitivas e prazos de até 60 meses.
“O Conta Cheia nasceu da percepção de que o endividamento provoca uma dor que vai muito além do bolso. Nosso objetivo é oferecer uma alternativa mais justa para o trabalhador que precisa reorganizar sua vida financeira, especialmente quando ele está recorrendo ao cartão rotativo, cheque especial ou outras modalidades mais caras. Crédito não deve ser tratado como renda extra nem como resposta automática para qualquer dificuldade, mas pode ser uma ferramenta de reorganização quando usado com consciência e transparência”, explica Nasser.
Para as empresas conveniadas, a adesão ao Conta Cheia não gera custo, integração de sistemas ou responsabilidade financeira. A companhia apenas comunica a disponibilidade do benefício aos colaboradores, sem atuar como ofertante, vendedora ou intermediadora do crédito. Todo o processo, da simulação à contratação, é digital, e o trabalhador mantém autonomia para avaliar as condições, comparar propostas e decidir se deseja ou não contratar.
Segundo Nasser, o papel do RH não deve ser controlar a vida financeira do funcionário, mas criar um ambiente seguro para orientação e acesso a alternativas responsáveis. “Existe muita vergonha associada ao endividamento. Quando a empresa aborda o tema sem julgamento, oferece educação financeira e disponibiliza soluções mais equilibradas, ela ajuda o colaborador a enfrentar o problema antes que ele se agrave. É uma forma de cuidado que pode refletir em mais tranquilidade, concentração e qualidade de vida”, destaca.
Em menos de seis meses de operação, o Conta Cheia recebeu 134 mil pedidos de crédito consignado, que somaram mais de R$ 58 milhões em volume solicitado. A fintech também captou R$ 50 milhões de um fundo de investimentos para acelerar sua expansão e ampliar os convênios com empresas de médio e grande porte.
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